Wednesday, January 26, 2011

Webale, welaba!!!

Quase dois meses em terras africanas e o que eu posso dizer no momento, foi que o tempo voou, passou muito rápido.
Fiquei meio ausente aqui nas últimas quase duas semanas, mas foi pelo fato de que tudo tem sido muito corrido com o fim da viagem e acabou não dando tempo.
            Bom, final de semana passado a Megan da Austrália foi embora e fizemos a despedida na baladinha africana que sempre vamos aqui, estávamos em 22 pessoas, alugamos um matato só pra gente (a muzungada) e foi muuuuuuuuito engraçado... Uma coisa que eu vou sentir muita falta quando eu for embora vai ser a turma que eu fiz aqui em Uganda, o tempo que a gente passa junto que é sempre muito divertido, todo mundo é muito amigo, animado e é sempre muito bom.
Sim, 22 pessoas em um matato para 14.


            Agora ta tudo meio que se desfazendo e é muito triste, chega a hora de ir embora e falar tchau nem sempre é muito agradável né?

            Nesses últimos dias muitas coisas aconteceram... principalmente na ONG que eu trabalho. Infelizmente o dono da casa onde a Shalom está situada quer vender a casa para outra pessoa e assim as crianças não teriam para onde ir. Eles receberam uma ordem de despejo para o dia 1 de maio, mas estamos lutando para que isso não aconteça ou que talvez a gente possa receber uma indenização por isso. Os advogados estão dizendo que temos muita chance de ganhar a causa, mas como aqui e no resto do mundo a gente sabe que quem tem dinheiro sempre dá um jeito, estamos com medo de que essas crianças acabem por não poderem ter mais um futuro decente.
            Bom, felizmente o site doado pela W3mídia (www.w3midia.com.br) está em construção e assim vamos poder divulgar melhor o trabalho feito na ONG, e quem sabe conseguir doações que sejam suficiente para construir um novo lar para estas pessoas.
            O site é http://www.shalomcharity.org.ug/ e lá vocês podem inicialmente cadastrar seu nome e email para receber informações, notícia de quando o site estará pronto, além de poder assistir o vídeo que foi feito para a ONG.
Site em construção.


Doações na ONG.

            Nessas minhas duas últimas semanas em Uganda também frequentei um orfanato de recém nascidos e crianças até 4 anos de idade. É um orfanato de uma Igreja de Kampala, muito bem organizado, grande e com infraestrutura boa.
            Lá a gente pode ajudar em várias coisas como amamentar os bebês, trocar fraldas, dar banho, brincar, contar história, conversar, ou mesmo apenas segura-los perto, dar colo, um pouquinho de amor, enfim... Qualquer coisa que os façam sentir em casa, sentir que podem contar com alguém, como se fosse sua mãe ou seu pai que morreram ou os abandoaram por falta de condições.
É muito triste pensar que muitas crianças não vão ter uma família, um irmão para poder brincar ou dividir experiências de vida, uma mãe e um pai para poder se apoiar, seguir como exemplo, amar, aprender com... É difícil, e mais difícil conseguir que alguém os adotem, porque muita gente aqui vive nas mesmas condições precárias ou nem se importam.
           
Coisa fofa!



Mudando um pouco de assunto, as eleições presidenciais estão muuuuito perto de ocorrem e o clima em Kampala já está PESADO. Dia 18 de fevereiro é o tal dia e desde então muita gente, especialmente estrangeiros, estão sendo avisados para evacuar a cidade ou então não sair de casa porque as coisas realmente complicam um pouco. Por exemplo, conflitos entre partidos, gente que quer causar nas ruas, tiroteio e sempre acaba que alguém morre no fim da historia. Ainda bem que não vou estar aqui, já os outros muzungus estão indo se “refugiar” no Quênia, em Ruanda etc...
Nessa ultima semana é comum ver na rua milhares de policiais armados com rifles pendurados no ombro marchando pelas ruas, avenidas, ou sentados em caminhões enjaulados e com cara de mau. E é meio assustador!
Saiu no jornal semana passada que o governo comprou milhares de bombas, balas, gás lacrimogêneo para conter qualquer tipo de baderna no dia da eleição. Na manchete dizia: “Se você está tentando causar qualquer tipo de conflito, bagunça nas eleições, prepare-se pois a polícia já se armou e vai evitar que isso aconteça", ou seja, você morrerá!
Os candidatos as eleições são 8, mas é 99% de chance de que o Museveni, que está no poder desde 1986 ganhe de novo.

Agora saindo desse clima mais pesado e entrando na cultura indiana, que eu acho incrível. A gente quase todo sábado vai nesse tempo indiano jantar, porque depois da cerimônia deles tem comida de graça para todo mundo. Cada sábado uma das famílias indianas com muito dinheiro em Kampala doam o jantar para mais de mil pessoas. A comida não é meu forte, sempre muito apimentada, e não sei parece que para tudo eles usam o mesmo tempero, e é apenas “okay” para mim.
A cultura em si é LINDA e eu fico encantada com isso... As roupas, as crenças, o jeito que eles tratam os deuses deles, os rituais, enfim... Acho tudo muito rico e pretendo um dia poder passar um tempo na índia e ver isso de pertinho.
Também fomos a um restaurante de comida da Etiópia essa semana, mas é meio diferente... Pensa em uma bandeja com vários molhos em cima de uma “toalha”, que no fim das contas não é uma toalha, é um pão, mas não é pão sabe? Haha parece uma esponjinha que você come com esses molhos, estranho!!!



O que eu mais gosto mesmo é poder ir na esquina da favela, onde as mulheres cozinham naquela panelonas numa fogueira no chão mesmo. Comida local, um prato gigante com feijão, purê de banana verde, mandioca, arroz, por apenas 50 centavos. É INCRÍVEL, mata a fome e eu adoro!

No meu ultimo final de semana em Uganda fomos para a praia de Entebbe, no Lake Victoria, que é o maior lago da África e talvez até do mundo, é gigaaaaante e engloba Uganda, Ruanda, Quênia, Tanzânia.
Era uma prainha fechada quase na beira do aeroporto, onde eles ficam tocando musicas o dia inteiro, sendo elas africanas, americanas e até tocaram uma lambada brasileira. Nos divertimos muito, jogamos vôlei, tocamos violão, dançamos, enfim... Foi um dia incrível e um ótimo “ultimo domingo em Uganda”.

Sisters!

Minhas horas em Uganda estão contadas, estou indo embora as 6h da manhã do dia 28 de janeiro, ou seja, falta MUUUITO pouco.
Minha próxima parada é a Cidade do Cabo na África do Sul, onde vou passar 8 dias para poder ver a diferença, pelo fato de ser o país mais desenvolvido da África e um dos que estão em crescente desenvolvimento na atualidade. Além de ver o Tavinho de novo, que eu estou morrendo de saudades e encontrar o Marcel, que está por lá desde o final de novembro e curtir um pouco a modernidade, né?

Gostaria de terminar o meu post mandando meus sinceros sentimentos por tudo o que está acontecendo no Brasil no momento, em especial, São Paulo e Rio de Janeiro, e para todas as pessoas que estão sofrendo com isso, perdendo familiares, amigos, casas, enfim, perdendo tudo. É muito triste saber que todo ano é a mesmo coisa, que nunca muda e muito pouco é feito... até quando uma tragédia dessa acontece e milhões tem que ser investidos imediatamente para conter o caos.

Bom, amanhã (dia 27/01) é meu último dia em Kampala, Uganda. Saio pra África do Sul às 6h da manhã do dia 28/01, mas vou pra Entebbe no dia anterior para não ir de madrugada.
É isso, talvez eu tenha esquecido de contar algum fato engraçado, bizarro, louco, sem pé nem cabeça que aconteceu aqui durante essa minha experiência em Uganda, mas quando eu voltar para o Brasil, espero poder dividir tudo o que eu passei aqui pessoalmente com todos vocês que me acompanharam durante essa minha jornada pelo continente africano.

Um beijo enorme para todos, obrigada pelo apoio e pelo carinho.

Saudades sempre, mas agora muito em breve estarei de volta em casa.

Welaba (Tchau)


"Be the change that you want to see in the world."
                                                                 Gandhi


           

Wednesday, January 12, 2011

Os dias passam devagar...

Às vezes não é tão fácil quanto parece, a saudade bate forte, a vontade de ir embora aumenta e simplesmente o meu lado emotivo (brasileiro de ser) me ataca com tudo e minha vontade é apenas me esconder de tudo e de todos.
Muitas vezes eu fico triste, desacreditada, indignada com o modo de vida que as pessoas levam aqui. Por mais que eu esteja aqui há mais de um mês, eu ainda não entendendo porque elas recorrem pelo jeito mais difícil, talvez porque sempre viveram nesse modo pacato, tranquilo e acomodado e nunca aprenderam diferente.
Porque? Porque alguém não pega essas pessoas e dá um chacoalhão nelas do tipo... Acorda?! Vamos?! Tenta!!!

Tudo é muuuuuuito mais difícil do que parece, tudo leva anos para ser pensado, e no fim a gente acaba carregando tudo nas costas porque se for depender das pessoas daqui isso nunca sairia do papel, ou se saísse demoraria anos. A dificuldade de desenvolver, de ter novas idéias, e de colocá-las em prática é fora do comum... São horas do dia jogadas no lixo fazendo nada enquanto você poderia estar fazendo algo produtivo em outro lugar.

A semana após minha viagem do Quênia foi pesada, muuuuitas coisas pra fazer, muitas coisas pra decidir, muitos projetos a serem retomados e outros a serem colocados em prática. Como estou encarregada do conteúdo do site da ONG (que por sinal não é pequeno), marquei uma reunião com os diretores, coordenadores da Shalom para que eu pudesse pegar o máximo de informações que eu ainda estava precisando para que nessas 3 semanas seguintes a gente possa trabalhar juntos nesse projeto, para que este seja concluído o mais breve possível.
Eu avisei que não é tão fácil fazer um site, leva tempo, dedicação e profissionalismo, porque além desse site, a W3mídia tem outros trabalhos a serem realizados e concluídos nos prazos estipulados.
Certo, marquei a reunião para as 11h da manhã na sexta-feira, e lá estávamos os três brasileiros em ponto... Como se a gente não soubesse que eles (claro) iriam atrasar!!!
Passou uma, duas, três horas e quando já não acreditava mais e já estava super irritada, o Padre (Diretor da ONG) liga e diz que esta esperando fora da favelinha para irmos conhecer a terra que pretendemos comprar para a construção da nova ONG.
Calor de 40 graus, quatro pessoas atrás, poeria na cara e loooooonge pra caramba. A terra fica em um sítio um pouco fora de Kampala, mas jajá eu conto melhor sobre isso.
Para chegar lá foram algumas horas, porque é obvio que alguma coisa tinha que acontecer... Sim, o pneu furou e para trocá-lo foi-se uma hora e pouco debaixo daquele sol! Ahhhh... isso contando que estávamos sem step então o cara do posto simplesmente colocou um pneu de moto no carro do padre... Sem zuar!!!
Eu já estava fora de mim essa hora, ainda estou tentando controlar esse meu lado impaciente, mas aqui é complicado. Não tem uma hora do dia que eu pense que tudo isso é um absurdo e que as pessoas estão ficando loucas...
O que eu pensei na hora? - OBRIGADA, agora sim eu me sinto segura para enfrentar uma estrada cheia de caminhões, buracos e depois uma estrada de terra cheia de pedras!
O que eu fiz? – Apertei o cinto e rezei, afinal, eu não tinha como mudar a situação e eu também estava no carro do Padre né?! Ele devia estar mais do que abençoado!!!

Depois de uma hora perdidos, porque eles não lembravam o caminho, finalmente chegamos na tal da “land”... Ela fica mais ou menos uns 12 km do centro de Kampala, é uma espécie de sítio com bastante espaço onde as crianças poderão ter aula de agricultura, apicultura, cultivo de alimentos, cuidados com animais, será um lugar onde poderão plantar o próprio alimento diminuindo custos e aprendendo a cada dia dar mais valor à sua comida, a partir desse contato maior com a natureza e por ver o quanto demorado é para uma sementinha crescer, dar fruto e chegar à nossas mesas.
No orçamento e na planta desse novo lugar constava com prédio para o ensino fundamental, dormitórios, salas de música, artes, sala de computação, cozinha, banheiros, estoque de alimentos, escritórios, biblioteca entre outras coisas, porém essa terra onde foi feita tal orçamento foi vendida e agora estamos com outro projeto nessa nova terra que custa em torno de 10.000 doláres e é 3 vezes menor que a antiga, porém, com espaço suficiente para começar a dar um futuro melhor pra muitas crianças, só falta fazer o novo orçamento de quanto será investido nos materiais de construção para os prédios, salas, dormitórios, móveis etc...


Rezando antes do café da manhã (Mingau)


Quero levar pra casa
         

"Land"



De resto tudo nos conformes, no final de semana eu e mais oito da casa fomos para Jinja que fica 2 horas de Kampala, e onde o Rio Nilo nasce. Lá dava pra fazer Rafting, Caíque, etc... mas acabamos não fazendo porque era bem caro, então acabamos só nadando no Nilo,  de boa tomando sol e claro enjoying a cerveja local “Nile Special” que não poderia faltar no meio dessa experiência toda de Nilo!!!
Ficamos em um albergue com vários muzungus e o dono era um africano com um cabelão afro muito da hora... Haha Foi lá que eu tive o meu primeiro banho QUENTE em Uganda, quanto digo quente, é porque foi quente mesmo, saia até fumaça... FOIII LIIIIIINDO, acho que fiquei uns 20 minutos lá de boa... me deu saudade de casa... de não ter que tomar banho chinelo, de cantar... hahaha de poder sair do banheiro sussa e não correndo de toalha... aaaaaah, tenho saudade das pequenas coisas, de ter sofá, de ter uma casa limpa, sem aranhas, com água e luz todos os dias... maaaas enfiiiiiim, isso não vem ao caso.
Ficamos lá de sábado pra domingo, fomos numa ferinha local, tudo muito lindo, cheio de artesanato, coisas africanas, bolsas, lenços, girafinhas, elefantinhos, mascaras masai, INCRIVEL! Ficamos lá por algumas horas e voltamos com algumas sacolinhas extras... Adoro!


Megan, eu, Odil e o Rio Nilo.

Família

Rio Nilo


Ontem comecei a ler “O mundo não é plano” – A tragédia silenciosa de 1 bilhão de famintos, do Jamil Chade.


O livro é muuuito bom, o cara é brasileiro, bacharel em RI e é correspondente do Estado de São Paulo em Genebra. Ele percorreu em torno de 40 países sendo a maioria da África em busca de historias para contar... é de arrepiar!!! To no começo ainda, mas já não consigo mais parar de ler.
O livro debate sobre assuntos como onde nós humanos e governos estamos na luta contra a fome no mundo, conta que a fome mata mais do que guerras, do sofrimento que é passar fome, do que acarreta e tudo o que está por traz da ONU, suas complicações, etc. VALE MUITO A PENA!
Eu ainda não terminei, mas já ouvi muito desse livro e aconselho todo mundo ler, e entrar em uma realidade que esta muito longe de todos nós, muito longe da nossa própria imaginação, longe do que é humano, do que é vida de verdade...

Bom pra finalizar esse meu post eu gostaria de ressaltar a minha saudade!
Eu estou com muita mesmo!
Beijo especial pra minha família toda, pro Tavinho e pros meus amigos.
Eu amo demais vocês e não vejo a hora de vê-los de novo!

Wednesday, January 5, 2011

Fim de ano no Quênia

Depois de 10 dias no Quênia, estou de volta em Uganda.
A viagem não foi das mais curtas, demorou 16 horas de ônibus para chegar em Nairobi (Capital do Quênia), apesar das rodovias esburacadas, ter que descer na fronteira e enfrentar uma filinha de boa na madrugada para tirar o visto, o ônibus era bom e ver o Tavinho me esperando no ponto final compensou tudo.

Comparando a capital de Uganda, Kampala e a do Quênia, Nairobi pude perceber o quanto desenvolvido e organizado a cidade lá é em relação aqui. Por mais que ainda exista pobreza e o trânsito de lá seja um absurdo como o daqui, as áreas da cidade são mais dividas. Achei lixos espalhados no bairro onde os escritórios e embaixadas do governo estão, com frases do tipo: Keep the city cleen... (Pelo menos nessa parte da cidade tinha!)

Lago em Nairobi

Bom, os dois primeiros dias ficamos em Nairobi mesmo, fomos em um aniversário de uma menina da AIESEC do Quênia, sem noção... Churrasco de bode (Muito famoso por aqui e gostoso até), bebida à vontade, piscina, casa gigantesca, mansão mesmo, com dois porteiros abrindo o portão de entrada de carros, coisas desse tipo... por um momento achei que eu não estava na África, juro.
É tão intensa e marcante a divisão de classes aqui que chega a ser chocante, ou você é MUITO rico, tem vários carros de luxo, como Mercedes por exemplo, usa as melhores roupas, anda de terno o dia inteiro, ou você é miserável, só tem 2 reais, ou nem isso por dia.

Depois desses dois dias fomos para Mombasa na costa leste da África, localizada exatamente no oceano índico. Foram mais ou menos 6 horas de viagem, estradas que passavam em meio às savanas africanas, com montanhas e tal, bem estilo do rei leão mesmo... Vimos zebras, macacos, hiena, maaaas não vimos girafas e elefantes que eu tanto queria ver...
Ficamos primeiro três dias em um albergue muito roots, as acomodações eram as seguintes, ou você optava por barracas, a qual você morria de calor, porque tinha que ficar trancado lá dentro durante a noite inteira, se não poderia ser atacado por bichos de todas as espécies, ou você optava por uma cabana com teto de folha de palmeira seca. É claro que escolhemos a segunda opção, mesmo sem energia elétrica, tínhamos um lampião (e a lanterna de 72h de bateria do Tavinho que salvou vidas), o banheiro era comunitário, com água do rio e tinha um gosto horrível... meio doce, meio salgada, sei lá... foi uma experiência diferente.

A viagem foi incrível, visitamos várias praias paradisíacas, água transparente mesmo, areia branca, LINDO!
Fizemos um passeio em Diani Beach, que você pegava um barco e ia para um banco de areia no meio do oceano, o qual se formava quando a maré baixava (em torno da 1h da tarde), m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o... Mergulhamos com vários peixinhos, pegamos estrela do mar da mao, parecia coisa de filme sabe?! Foi inesquecível!

Tavinho e eu em Diani Beach, Mombasa

Paraíso

Masai tentando me vender umas "bugigangas"

Camelo

Depois mudamos de albergue, porque aquele já estava lotado pro ano novo. Esse segundo lugar era uma casa mesmo, e tinha gente de todo lugar do mundo, muita gente mesmo!!! Os donos do albergue eram do Peru e da África do Sul, muuuuuuito doidos, mas muito gente boa os dois. Ficamos na cobertura da casa, ou seja, na varanda de cima, o que cobria era apenas um teto e o resto era tudo aberto, mas foi gostoso porque era tão quente naquela cidade que durante a noite o ventinho que batia lá em cima ótimo, mas em compensação de manhã você não aguentava nem até 8h de tanto calor.

Ficamos lá por 4 dias, até o dia 1º de janeiro, quando voltamos para Nairobi.
O ano novo foi diferente de tudo, teve fogos e tudo mais, mas foi estranho estar em 2011 cinco horas na frente que no Brasil, meus pais me ligaram para falar feliz ano novo e eu já estava em janeiro de 2011 e eles ainda estavam em dezembro de 2010... Foi esquisito!

De volta em Nairobi os dois últimos dias voaaaaaram...
Um dia fomos convidados pelo vizinho do Tavinho para um churrasco que um candidato a vereador estava dando no estacionamento do lado do prédio. De novo o tal do churrasco de bode e bebida à vontade... galera mais velha, papo sobre política, desenvolvimento, países e é claro futebol. Foi muito legal, tirando a parte que comemos fígado de bode sem querer (NOJENTO) e quando o Tavinho resolveu experimentar intestino de bode... Joking?!?!? É vamos pular essa parte...
No último dia fui com o Tavinho conhecer a ONG dele que fica em Kibera, segunda maior favela da África. A ONG é super legal tem vários projetos de empreendedorismo, cursos de informática, projetos com crianças da comunidade, etc. O pessoal lá é muito legal e a Isabel, dona da ONG, chamou todos os trainees para almoçar na casa dela esse dia, comida local MUUUUITO boa, uma das melhores que eu comi nos últimos tempos.

Fizemos um tour na favela e foi chocante, a favela é gigante e tem casas para todos os lados, casas de pau-a-pique coladas umas nas outras, muuuito lixo, esgotos lotados de coisas. (Ps: Eu não sabia sobre o tour e estava de chinelo esse dia).
Kibera é cheio de altos e baixos e você pode ver perfeitamente o caminho que o lixo faz até chegar no rio quando chove, você anda por cima de plásticos, latas, papel, por todo o caminho. Também é cheia de labirintos para você chegar ao outro lado você tem que cortar pelo meio das casas, abrir portas, abaixar para passar em portões, passar no meio de roupas penduras no varal, pular esgotos, etc... não foi nada comparado com o que tinha visto aqui até agora, foi bem tenso... muita pobreza, muita criança na rua, muita sujeira.                                                                                          

Esgoto, lixo.

Hello, how are you?

Galera em Kibera, Nairobi

A cara da favela

Kibera
Fiquei conversando com algumas pessoas sobre toda essa experiência que estou vivendo aqui, e eu não NADA do reclamar da minha vida, e sim, só agradecer cada dia por tudo o que tenho, não preciso de mais nem menos... Eu sou uma pessoa muito feliz, tenho uma família maravilhosa, amigos incríveis, um namorado perfeito, e a vida que eu pedi.
Só fico triste de saber que muita gente nunca teve isso e nunca vai poder ter e sentir o que eu sinto.

Depois desses dias de férias era hora de voltar pra Uganda, pro trabalho, pra ONG, pras crianças. O tempo que passei no Quênia foi muito especial e inesquecível, e é muito bom poder compartilhar essa parte boa e bonita da África também, porque assim como todos os países, existe o lado bom e o lado ruim...

Hoje voltei a trabalhar, fui na ONG com os dois brasileiros que também começaram a trabalhar lá. Estamos com vários projetos novos e com várias idéias, o website foi registrado e em breve minha mãe e a W3mídia vão começar a desenvolver, mas no próximo post vou contar mais sobre isso.

Gostaria de desejar um feliz ano novo para quem eu não tive a oportunidade de falar, que 2011 seja um ótimo ano para todos nós.

Um beijo pra todos, mamãe, papai, Cacá, Ri, Tavinho, família e amigos.
Amo muuito vocês e estou com muitas saudades!!!

Tuesday, December 21, 2010

Duas semanas!!!

O final de semana foi agitado, na sexta-feira saímos em dez, juro conseguimos quase lotar um táxi só de “muzungus” (brancos), o que é quase impossível por aqui.

Táxi: Meio de locomoção mais comum aqui,  é tipo uma van bem velha com os bancos caindos aos pedaço e as vezes com a janela emperrada, aí não tem jeito, você morre de calor mesmo!

Fomos jantar em um restaurante chinês que demorou 5 horas para servir a comida (fria) e depois fomos a uma baladinha no Centenary Park. Era um lugar legal, todo de madeira, você subia uma escada e o ambiente era em cima, mas balançava MUITO e parecia que ia cair... juro!
No sábado saímos para comprar os presentes do amigo secreto em uma feira que está tendo aqui pro natal, ficamos lá hoooooooras, tinha muita coisa pra ver, todo mundo queria comprar várias coisinhas, mas resolvi deixar essa parte pro final da viagem.
Nada de especial no sábado, estava tendo um show de natal com umas bandas aqui perto, mas estava muito calor e eu quase tinha desmaiado no shopping, então resolvi voltar com algumas meninas para tomar um banho e descansar.
O domingo foi um dia especial, acordamos e cada um começou a preparar uma comida diferente para o nosso almoço de natal... é, já que todo mundo não vai estar aqui no dia 25, resolvemos antecipar.
Mas imagina isso, uma cozinha precária, com um fogãozinho de uma boca, aqueles tipo um butijão de gás com a boca em cima, sem forno, sem nada, para 12 pessoas cozinharem... Vamos dizer que demorou algumas horas para ficar tudo pronto... cada prato que ficava pronto era uma desafio gigante manter as moscas longe. No fim deu tudo certo, teve salada, salada de frutas, queijos, frango, salsicha e umas comidas diferentes que eu nem sei o que era, mas eu comi hahaha. Foi muito legal estava todo mundo aqui e todos estávamos felizes pelo fato de estarmos juntos.


Gale de casa: China, Holanda, Dinamarca, Brasil, Taiwan, Canadá, Austrália e França


Rommies

Trocamos os presentes, e eu ganhei uma bolsa muito fofa do Derk (australiano), jogamos baralho, dançamos, jogamos futebol, conversamos um mooooooonte... atééééé bem tarde... a festa durouuuu!!!


Ontem os outros 3 brasileiros chegaram, agora somos 5 na casa e todos de São Paulo.
Dois deles vão trabalhar na minha ONG... vai ser ótimo para tentarmos descobrir uma maneira que seja mais eficaz para ajudar as crianças, mais idéias e tal...

Tudo é tããããooo diferente aqui que às vezes cansa, é tudo questão de ter paciência e saber administrar essas diferenças, trabalho DUUUURO!!!
A comunicação aqui é muito difícil, os ugandenses são meio lentos, meio não vai MUITO lentos... eles demoooooooooram anos pra entender, e quando entendem demoram séculos pra colocar as coisas em prática.
Se você marca de encontrar às 9h, pode ter certeza absoluta que eles vão chegar lá as 10h, 10 e pouco... E isso não combina comigo hahahaha... odeio esperar!!!

Sabe, esses dias eu estava refletindo um pouco e pensando nessas duas semanas que eu já completei aqui...
Porque mesmo com toda essa miséria, com toda essa falta de estrutura, saneamento básico as pessoas ainda conseguem sorrir pra vida?
Isso foi uma coisa que me marcou muito desde o primeiro dia aqui, todo mundo te cumprimenta, todo mundo ta sempre feliz, de bem com a vida.
Esperança? Seria essa a palavra?
Não sei, só sei que eles nunca tiveram nada e sempre foi assim, então eles não tem noção do que estariam perdendo porque nunca tiveram... Diferentemente se fossemos colocados em uma favela, dentro de uma casa de madeira sem luz, água, banheiro e tivéssemos que nos virar. Eu acho que não suportaria, pois eu tenho algo para me basear, no que é bom e o que é ruim... já eles infelizmente não... Sempre viveram assim  vão viver assim por muito tempo. TRISTE!!!

Queria terminar meu post com uma foto que minha amiga tirou e que eu acho incrível, mas triste!
Prestem atenção... é uma menininha e a única coisa que ela tem, que ela espera neste dia para que ela possa ver o dia seguinte, é apenas um prato de comida.
CHOCANTE!!!



Booom... viajo pro Quênia amanhã (quarta-feira) pro natal e ano novo, e só volto em 2011... acredito que meu blog ficará meio desatualizado por alguns dias, mas prometo que quando eu voltar ele voltará ao normal também haha :)

Feliz natal e Feliz ano novo para todos vocês!!!
Saudades demais,

MIL BEIJINHOS!!!

Thursday, December 16, 2010

Nada acontece por acaso...

... e cada dia que passa mais eu fico convencida disso!

Eu não sei se havia contado aqui, mas quando estava embarcando ainda no aeroporto de Guarulhos conheci um moço chamado Robson.
Por incrível que pareça, ele sentou atrás de mim no avião, também com a fileira inteira só pra ele. Conversamos bastante e ele me disse que estava indo pra África do Sul ver o amigo dele e depois ia pra Tanzânia viajar e eu contei o que eu estava vindo fazer em Uganda, dei meu cartão com meu e-mail e meu blog para qualquer contato.

Três dias atrás recebi um e-mail dele falando que tinha lido meu blog, falando várias coisas legais em relação à essa experiência, disse que tava na Tanzânia com o amigo Felipe, que queria vir pra Uganda conhecer a ONG e ajudar de alguma forma.
E não é que eles vieram mesmo?!

 Robson, eu e Felipe na ONG.

Chegaram aqui, passaram a noite em um hotel em Uganda e ontem foram na ONG com vários presentes para as crianças, como bola de futebol, cadernos, livros de pintar, lápis de cor, caneta, carrinho de brinquedo, balas, chocolates etc., presentes que serão dados no dia da festinha de natal de lá que será nesse sábado. Além disso, doaram também 200 dólares que será depositado na conta da ONG para começar a ajudar no que precisa e disseram que vão conversar com diversas pessoas, contatos importantes que eles têm no Brasil para que possam ajudar na compra do terreno e construção da casa.
Só tenho a dizer MUITO obrigada pela iniciativa.

Por mais que isso pareça fácil lendo, é muito difícil e muito burocrática essa questão de doações no exterior, tudo tem que ser muito bem especificado, deve estar claro onde esse dinheiro está entrado e para quais fins, portanto, exige muito trabalho e uma série de documentos.
Se alguém souber de alguma coisa ou tiver alguma idéia, por favor, sinta-se à vontade para deixar sua opinião e sugestão aqui. Tenho certeza de que qualquer idéia será de grande ajuda.

Gostaria de agradecer a ajuda de todos que estão empenhados nessa causa.

Mudando um pouco o foco, ontem o primeiro dos quatro brasileiros que estão vindo pra Kampala chegou. Ele chama Ivan, faz RI na PUC e parece ser um menino bem legal, hoje o levei para comprar um celular, fazer supermercado, trocar dinheiro. Parecia eu há uma semana, olhando para todos os lados, assustada, perguntando tudo... É engraçado como um dia você mal sabe onde se compra um pão na esquina e agora você sabe ir para vários lugares e pode ensinar os outros. Me sinto bem e independente!

 É isso, mil beijos... Saudades

Monday, December 13, 2010

Enjoying diversity!

O final de semana foi agitado, a casa estava LOTADA, chegaram uns 7 quenianos para passar a noite, foi engraçado demais.
No sábado eu saí com a Sarah, Willian e Derk pra comer em um café na cidade e depois fomos explorar a cidade.

Aqui em Uganda a diversidade de religiões, crenças é enorme. Existem muitos indianos que moram aqui em Kampala para abrir negócios então a religião é bem presente.
Fomos em um templo indiano no meio da tarde para conhecer, foi incrível, é super tranquilo e de lá pudemos ver a cidade de cima.

Aproveitando esse clima indiano, resolvemos ir á um outro templo... é tão lindo. Eles danças, batem palma, rezam, é algo muito forte pra eles.

Depois disso fomos convidados pelos indianos de lá para comer com eles. Geralmente todo o sábado tem “free food” nesse lugar. QUASE MORRI... é muuuuuito apimentado, tive que tomar uns dois litros de água depois disso, hahaha, em geral foi um dia diferente...quatro pessoas de diferente países, diferentes continentes experimentando e conhecendo uma quinta cultura. Isso tudo é maravilhoso!!!

Aaaaaah, esqueci de contar...
No caminho do templo, experimentei uma tradicional comida ugandense: GRILO FRITO!
Sim, eles arrancam as patinhas, asinhas e afins, fritam e comem. Hahahaha, foi teeeenso porque é simplesmente muito feio, fechei meus olhos e foi. Até que não é tão ruim, lembra um pouco camarão. NOOOOT! hahaha


Domingo não fiz quase nada. Fiquei em casa o dia todo, lavando roupa, ajudando a lavar a casa, conversei com meu pai que não tinha falado ainda, assisti filme com um ugandense e duas queinianas... joguei muito baralho, dançamos e foi mais ou menos isso.

To me sentindo mais em casa e já não tenho mais vontade de chorar. É claro que a saudade sempre bate, mas levo vocês em meu coração onde quer que eu vá.

Sexta na ONG um dos meninos que morou lá quando era pequeno e agora vai para ajudar em algumas coisas me disse as seguintes palavras:
- Luiza, você vai voltar daqui uns anos né?
E eu respondi:
- Não sei, eu pretendo voltar pra ver como todos estão, eu realmente espero um futuro melhor pra todos eles... porque?
E ele disse:
- Porque eles estarão esperando por você!!!
Perdi as palavras na hora.
Pensem nisso, qualquer simples gesto de amor, carinho, atenção, qualquer coisa... já é um passo enorme para um futuro melhor para todo mundo.

Let's do it!

Saturday, December 11, 2010

Let's keep it up!

Depois de alguns dias sofrendo muito e não suportando estar aqui, as coisas estão começando a se tornar mais comuns pra mim.
A confusão de Kampala e o tanto de gente em um mesmo lugar já não me incomoda tanto quanto antes, andar na favela se tornou comum, todos me conhecem e sabem que eu estou lá para ajudar, então já não tenho mais tanto medo, a sujeira e o cheiro por mais forte e intenso que seja, já não me assustam tanto...
Maaaaaas, em compensão... o banho ainda continua gelado e é uma tortura! Hahaha Enfim, a gente não pode ter tudo.

Quinta choveu muito e eu e a Megan (Austrália) não fomos trabalhar pois o acesso à nossas ONGs é muito dificil, conversei muito com ela, chorei, desabafei e ela me ajudou muito, me confortou e eu senti que não estou sozinha aqui e que eu posso contar com ela.
Mais tarde eu, ela e o Willian (China), fomos ao shopping, ao supermercado e depois fomos em um restaurante chinês muito bom aqui. Foi ai que comecei a me sentir melhor, existe a parte da cidade tranquila, onde posso encontrar tudo o que eu preciso em relação à comida, bebida, restaurantes de todos os tipos, sorvete, café, roupas e o bom é que não é  muito longe de casa, apenas 50 centavos de táxi... é as coisas aqui são baratas!!!
Voltando pra casa ficamos todos jogando baralho, rindo e comecei a ficar mais amiga de todos e me sentir mais confortável e em casa.

Eu estou vivendo uma fase de intensos altos e baixos, uma hora eu morro de rir, outra hora só quero chorar. Quando eu estou sozinha parece que o tempo não passa nunca e que tudo é mais complicado.

Sexta fui na ONG e decidi fazer uma reunião lá... eu não estava me sentindo útil apenas ensinando inglês e brincando... eu queria mais que isso, eu quero causar um impacto maior que este, eu quero tentar mudar algo na vida dessas crianças.
A ONG vem passando por uma situação muito complicada, o dono da casa quer vender o terreno muito em breve e as crianças vão voltar pra rua por não terem onde ficar. Estamos tentando arrecadar o máximo de dinheiro para que a gente possa sair de lá e dar à essas crianças uma vida decente e um futuro melhor.
A gente já conseguiu a doação que oferece escola para o ano de 2011 inteiro. Agora precisamos arrecadar em torno de 20 mil reais para que possamos comprar um terreno e construir um lar próprio para essas pessoas antes que sejam jogadas na rua de novo, sem familia, sem estudo, sem comida, sem amor.

Eu com a ajuda da minha mãe e da W3mídia estamos começando a montar um site para a ONG (Shalom) e assim conseguir espalhar o trabalho que está sendo realizado e o quão importante é não fechar as portas pra essas crianças. Antes do site ficar pronto vou deixar o número da conta da ONG aqui e quem sabe vocês, algum conhecido de vocês possa ajudar com qualquer quantia que seja, para que esse projeto consiga ser concretizado e que nós possamos ajudar de alguma forma e impactar de verdade a vida dessas crianças e quem saber mudar o futuro delas.


Shalom Charity Foundation
P.O. BOX 32129, Clock Tower
Kampala, Uganda

Número da conta: 3010609990

Quem puder contribuir sinta-se abraçado por todos eles aqui.






Bom, mudando um pouco o foco, ontem Eu, Megan, Willian, Derk (Austrália) e Sarah (França) fomos em um barzinho aqui em Kampala muito bonitinho e depois fomos em uma balada africana e também meio black... FOI INCRÍVEL!
Cada um dançando do jeito que quer, cada um vestindo o que está afim de vestir, foi uma experiência única. Nos divertimos MUITO!!!

O final de semana começou bem... hoje vou comprar um 3G e aí ficarei mais acessível!

BEIJOS!