Quase dois meses em terras africanas e o que eu posso dizer no momento, foi que o tempo voou, passou muito rápido.
Fiquei meio ausente aqui nas últimas quase duas semanas, mas foi pelo fato de que tudo tem sido muito corrido com o fim da viagem e acabou não dando tempo.
Bom, final de semana passado a Megan da Austrália foi embora e fizemos a despedida na baladinha africana que sempre vamos aqui, estávamos em 22 pessoas, alugamos um matato só pra gente (a muzungada) e foi muuuuuuuuito engraçado... Uma coisa que eu vou sentir muita falta quando eu for embora vai ser a turma que eu fiz aqui em Uganda, o tempo que a gente passa junto que é sempre muito divertido, todo mundo é muito amigo, animado e é sempre muito bom.
Sim, 22 pessoas em um matato para 14.
Agora ta tudo meio que se desfazendo e é muito triste, chega a hora de ir embora e falar tchau nem sempre é muito agradável né?
Nesses últimos dias muitas coisas aconteceram... principalmente na ONG que eu trabalho. Infelizmente o dono da casa onde a Shalom está situada quer vender a casa para outra pessoa e assim as crianças não teriam para onde ir. Eles receberam uma ordem de despejo para o dia 1 de maio, mas estamos lutando para que isso não aconteça ou que talvez a gente possa receber uma indenização por isso. Os advogados estão dizendo que temos muita chance de ganhar a causa, mas como aqui e no resto do mundo a gente sabe que quem tem dinheiro sempre dá um jeito, estamos com medo de que essas crianças acabem por não poderem ter mais um futuro decente.
Bom, felizmente o site doado pela W3mídia (www.w3midia.com.br) está em construção e assim vamos poder divulgar melhor o trabalho feito na ONG, e quem sabe conseguir doações que sejam suficiente para construir um novo lar para estas pessoas.
O site é http://www.shalomcharity.org.ug/ e lá vocês podem inicialmente cadastrar seu nome e email para receber informações, notícia de quando o site estará pronto, além de poder assistir o vídeo que foi feito para a ONG.
Site em construção.
Doações na ONG.
Nessas minhas duas últimas semanas em Uganda também frequentei um orfanato de recém nascidos e crianças até 4 anos de idade. É um orfanato de uma Igreja de Kampala, muito bem organizado, grande e com infraestrutura boa.
Lá a gente pode ajudar em várias coisas como amamentar os bebês, trocar fraldas, dar banho, brincar, contar história, conversar, ou mesmo apenas segura-los perto, dar colo, um pouquinho de amor, enfim... Qualquer coisa que os façam sentir em casa, sentir que podem contar com alguém, como se fosse sua mãe ou seu pai que morreram ou os abandoaram por falta de condições.
É muito triste pensar que muitas crianças não vão ter uma família, um irmão para poder brincar ou dividir experiências de vida, uma mãe e um pai para poder se apoiar, seguir como exemplo, amar, aprender com... É difícil, e mais difícil conseguir que alguém os adotem, porque muita gente aqui vive nas mesmas condições precárias ou nem se importam.
Coisa fofa!
Mudando um pouco de assunto, as eleições presidenciais estão muuuuito perto de ocorrem e o clima em Kampala já está PESADO. Dia 18 de fevereiro é o tal dia e desde então muita gente, especialmente estrangeiros, estão sendo avisados para evacuar a cidade ou então não sair de casa porque as coisas realmente complicam um pouco. Por exemplo, conflitos entre partidos, gente que quer causar nas ruas, tiroteio e sempre acaba que alguém morre no fim da historia. Ainda bem que não vou estar aqui, já os outros muzungus estão indo se “refugiar” no Quênia, em Ruanda etc...
Nessa ultima semana é comum ver na rua milhares de policiais armados com rifles pendurados no ombro marchando pelas ruas, avenidas, ou sentados em caminhões enjaulados e com cara de mau. E é meio assustador!
Saiu no jornal semana passada que o governo comprou milhares de bombas, balas, gás lacrimogêneo para conter qualquer tipo de baderna no dia da eleição. Na manchete dizia: “Se você está tentando causar qualquer tipo de conflito, bagunça nas eleições, prepare-se pois a polícia já se armou e vai evitar que isso aconteça", ou seja, você morrerá!
Os candidatos as eleições são 8, mas é 99% de chance de que o Museveni, que está no poder desde 1986 ganhe de novo.
Agora saindo desse clima mais pesado e entrando na cultura indiana, que eu acho incrível. A gente quase todo sábado vai nesse tempo indiano jantar, porque depois da cerimônia deles tem comida de graça para todo mundo. Cada sábado uma das famílias indianas com muito dinheiro em Kampala doam o jantar para mais de mil pessoas. A comida não é meu forte, sempre muito apimentada, e não sei parece que para tudo eles usam o mesmo tempero, e é apenas “okay” para mim.
A cultura em si é LINDA e eu fico encantada com isso... As roupas, as crenças, o jeito que eles tratam os deuses deles, os rituais, enfim... Acho tudo muito rico e pretendo um dia poder passar um tempo na índia e ver isso de pertinho.
Também fomos a um restaurante de comida da Etiópia essa semana, mas é meio diferente... Pensa em uma bandeja com vários molhos em cima de uma “toalha”, que no fim das contas não é uma toalha, é um pão, mas não é pão sabe? Haha parece uma esponjinha que você come com esses molhos, estranho!!!
O que eu mais gosto mesmo é poder ir na esquina da favela, onde as mulheres cozinham naquela panelonas numa fogueira no chão mesmo. Comida local, um prato gigante com feijão, purê de banana verde, mandioca, arroz, por apenas 50 centavos. É INCRÍVEL, mata a fome e eu adoro!
No meu ultimo final de semana em Uganda fomos para a praia de Entebbe, no Lake Victoria, que é o maior lago da África e talvez até do mundo, é gigaaaaante e engloba Uganda, Ruanda, Quênia, Tanzânia.
Era uma prainha fechada quase na beira do aeroporto, onde eles ficam tocando musicas o dia inteiro, sendo elas africanas, americanas e até tocaram uma lambada brasileira. Nos divertimos muito, jogamos vôlei, tocamos violão, dançamos, enfim... Foi um dia incrível e um ótimo “ultimo domingo em Uganda”.
Sisters!
Minhas horas em Uganda estão contadas, estou indo embora as 6h da manhã do dia 28 de janeiro, ou seja, falta MUUUITO pouco.
Minha próxima parada é a Cidade do Cabo na África do Sul, onde vou passar 8 dias para poder ver a diferença, pelo fato de ser o país mais desenvolvido da África e um dos que estão em crescente desenvolvimento na atualidade. Além de ver o Tavinho de novo, que eu estou morrendo de saudades e encontrar o Marcel, que está por lá desde o final de novembro e curtir um pouco a modernidade, né?
Gostaria de terminar o meu post mandando meus sinceros sentimentos por tudo o que está acontecendo no Brasil no momento, em especial, São Paulo e Rio de Janeiro, e para todas as pessoas que estão sofrendo com isso, perdendo familiares, amigos, casas, enfim, perdendo tudo. É muito triste saber que todo ano é a mesmo coisa, que nunca muda e muito pouco é feito... até quando uma tragédia dessa acontece e milhões tem que ser investidos imediatamente para conter o caos.
Bom, amanhã (dia 27/01) é meu último dia em Kampala, Uganda. Saio pra África do Sul às 6h da manhã do dia 28/01, mas vou pra Entebbe no dia anterior para não ir de madrugada.
É isso, talvez eu tenha esquecido de contar algum fato engraçado, bizarro, louco, sem pé nem cabeça que aconteceu aqui durante essa minha experiência em Uganda, mas quando eu voltar para o Brasil, espero poder dividir tudo o que eu passei aqui pessoalmente com todos vocês que me acompanharam durante essa minha jornada pelo continente africano.
Um beijo enorme para todos, obrigada pelo apoio e pelo carinho.
Saudades sempre, mas agora muito em breve estarei de volta em casa.
Welaba (Tchau)
"Be the change that you want to see in the world."
Gandhi







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Te amo!!!
Sinto saudade....
Mamãe